quarta-feira, 1 de maio de 2019

O retorno de Saturno

Eu vi em algum filme a famigerada frase "São tempos difíceis para os sonhadores", talvez tenha sido naquele lentíssimo filme francês "O fabuloso destino de Amelie nãoSeiQuem", que até hoje não sei se gosto ou desgosto. As únicas certezas que tenho sobre esse filme é que: 1. não consigo assistir em uma tacada só, durmo todas as vezes. 2. chato, mas talvez eu finja que goste só para parecer cult. 3. vai ver eu não entendi nada.

Mas o quê eu falava mesmo?? Ahhh sim, "São tempos difíceis...."

Maluco, eu comecei esse blog há uns 10 anos atrás para desabafar sobre os tempos difíceis. E olha eu aqui de novo. Não que vá se estender como da última vez (Quem diria, ganhei amizades com isso), mas bora escrever enquanto se há vontade.

Beirando os vinte e nove invernos, as coisas estão pra lá de bagunçadas por aqui, deposito minha esperança naquela história de retorno de saturno, mas por outro lado eu nem acredito em astrologia então....

Pois é!

Ps. nos últimos dez anos a única coisa que não perdi foi barriga, por que de resto.... ai ai


quinta-feira, 20 de julho de 2017

"In the end"

Eu devia ter uns 14 ou 15 anos quando comecei a aprender o que era rock. A escola de rock para os adolescentes da época era a (falecida) MTV Brasil. Acompanhávamos os clipes e as notícias, alguns shows. Foi através de lá que conheci o Linkin Park. Eu adorava, meus amigos também. Fãs adolescentes, all star e camisetas pretas com estampas das bandas preferidas. Tive uma do Linkin Park. Lembro da alegria quando comprei meu primeiro CD do deles, o Live in texas. Um CD ao vivo que eu adorava e devo ter furado de tanto que ouvi. Adolescente fantasiosa, achava que o Mike Shinoda era o cara ideal, talvez tenha sido meu primeiro crush impossível rs. Mas eu me identificava mesmo era com Chester Bennington.
Lembro do quão impactada fiquei, quando em uma entrevista ele disse que havia sofrido abuso sexual quando era criança. Passado traumático, mas lá estava ele, o homem que havia declarado que já pensara em suicídio por causa do abuso: corajoso, gritando suas dores. Era assim que o via. O grito rasgado, cantando letras fortes, que para mim faziam todo sentido. Imaginava que as dores de Chester pareciam com as minhas e imaginava que assim como ele eu também poderiam resistir, nem que fosse gritando...

Numa luta contra drogas, álcool e traumas, Chester foi encontrado
hoje, morto em suas casa. Suicídio por enforcamento. #RipChester

Não sabemos quão profundas são as marcas de uma violência assim na vida e na alma de alguém.
De coração partido digo: vá para Deus, Chester. Você foi inspiração de coragem para mim, obrigada.


sexta-feira, 30 de junho de 2017

27 years old

Pretendi ter morrido muitas vezes. 
Mas a vida venceu em mim.


Eu corri tanto e me escondi por medo. Chorei por dias e noites, dores que ninguém compreenderá. Pequenina e assustada demais para ter voz. Quantas vezes me senti invisível ou pouco importante, afinal, porra será que ninguém vê? E ninguém via... Tão jovem e tanta vontade de simplesmente desaparecer. Ninguém deveria pensar em morrer aos 10 anos de idade. Ninguém nunca deveria pensar em morrer. Algo me empurrava para a vida. Aprendi a ver graça em coisas pequenas. O terror acabou, as marcas machucavam, mas em meus pensamentos eu deveria continuar caminhando, pra honrar aquela menina que antes dos 12 anos foi muito mais forte do que sou hoje. "Que força é essa, pequena flor?" Foi tua força que nos segurou, lembro de noites tão difíceis como se tivessem sido ontem. Lembro do teu choro tão sentido, teu vozeirão sem firmeza nenhuma. Lembro do teu desespero, das tuas mágoas... Ninguém percebeu. Mas aqui estamos. Você percorreu todos esses anos e teu único desejo era ser feliz. Sou feliz, pequena. Sou muito feliz e estou bem. Vencemos! Ninguém te viu, mas eu te vejo. Ninguém te compreendeu, mas eu te compreendo. Finalmente estou em paz. A vida segue bem, por vezes dificultosa, mas teu exemplo de força é constante em minha memória. Feliz 27 anos, a vida se ascende incrível e surpreendente. Para mim, os 27 representavam morte, e ainda representam. Mas hoje com significado diferente: é morte, mas morte de tudo que me incapacita de ser feliz! É por você que continuo. É por mim! Não é mágoas, medos ou dores em meu coração. Meu coração pulsa e a cada batida é só amor. Sempre só amor.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Quarto 1809

Trancou a porta e me agarrou. Senti um tremor  que não tinha nada a ver com o álcool percorrer meu corpo quando beijou meu pescoço. Sorriu e me largou. Examinamos o quarto e nos acomodamos, sentei em um sofazinho próximo a janela. Do 18° andar, eu via a orla e quase todos os lugares que havíamos passado durante o dia. "Maluquice" - eu pensava e sorria para a minha completa falta de juízo. Ao passo que se livrava das roupas cheias de areia da praia, me ofereceu mais uma lata e aceitei, abri enquanto observava tirar a camisa e revelar a pele negra, um corpo magro. Eu ainda sentia em meu pescoço a quentura do beijo que havia recebido há pouco. Olhou para mim com um sorrisinho. Eu estava meio tonta, então não arrisquei dizer nada, apenas sorri de volta. Acomodou-se ao meu lado no sofá e passou a observar o mar. Eu sentia seu cheiro de muito perto, e tudo ficou mais intenso quando descansou suas costas nua em meu peito. Olhou meu rosto e me beijou, senti o gosto da cerveja quando me beijou brevemente. Enfiou suas mãos por baixo de minha camisa e intensificou o beijo. Então tudo ficou turvo. O álcool, o cheio, o beijo... Parei de pensar, nossos corpos quentes do sol, tinham urgência.
A janela aberta deixava entrar uma brisa fria, mas eram as mãos quentes que faziam meu corpo tremer. Eu me divertia com minha maluques, com o álcool que fazia girar minha cabeça, com as mãos, abraços e beijos quentes. Olhei o mar pela última vez antes de fechar a janela. Então me puxou pelo braço e me jogou na cama. Agarrei seus cabelos curtos, e...
 
 
 
 
... O que acontece em Santos, fica em Santos (e na memória).
 
 
 
 
"Faça amor comigo
Até a última canção
Não diga que é pecado
Me leve pra ser livre"
 
 

sábado, 15 de abril de 2017

"Cê me bagunçou, pirei..."

Não foram só os olhos, que ficam apertadinhos quando sorri bem grande e bonito. Tão pouco o jeito leve, descontraído. Papo fácil sobre tudo e mais um pouco: de orixás a multas de trânsito e onde mais a criatividade for... não foi só isso.
Não foi apenas o jeito de andar, de falar, beber, viver. Nem o modo como dirige tão corretamente. Não foi só o jeito de sorrir, espalhafatoso, sem medo. Se derrama em sorriso e me olha de um jeitinho tão teu, que eu nem sei... Embora isso tenha me tirado o fôlego, não foi só isso.
Tua imagem nas fotos, me lembra muito minhas fotos: caretas, língua de fora. Consigo até imaginar o som do momento, você falando e rindo bem alto, teu sotaque tão arrastado. Teu jeito de ser dar à vida, me lembra muito meu jeito. Só que muito mais solto, você parece voar. Uma entrega sem medo, colocando o coração em tudo. Cheguei até a te imaginar recolhendo triste os pedacinhos, a vida às vezes nos quebra mesmo. Mas eu sei que você tem coragem. Eu sei que temos. Mas não foi só isso.
Nem teu cheiro de mar, teu gosto de sal... Você parece verão, dia de praia. Parece outono, tarde de chuva e cheirinho de café. Você parece canção. No samba, a alegria; na MPB, a calmaria; no RAP; a rima mais pesada; no rock, o som que sinto percorrer todo meu corpo. Você parece carnaval, Colombina e eu Pierrot. Você parece muvuca, você parece abrigo. Parece Olodum no Pelô. Por do sol, do farol. Mas eu acho, que não foi"só tudo" isso. 

Na verdade, não sei dizer o que foi que bateu e me fez pirar. Você é a combinação de um pouquinho de tudo que gosto, desde a pele negra à vibe boa.... Ainda não tô entendendo nada...  

"Meu juízo perde o pé (...) pretinha briso nesse axé".