quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Minha contadora de histórias


Minha mãe me contava histórias. Algumas que ela inventava; outras, meu avô havia contado a ela quando criança; outras de livros que ela me presenteava e mesmo depois que eu aprendi a ler, eventualmente líamos juntas.

Relembrar as histórias do meu avô era um momento delicioso, até hoje é. Lembro-me dela contando, empolgada, fazendo um esforço para lembrar detalhes, sorrindo saudosa. Esse momento me rendia as histórias que ela herdou do meu avô, e outras sobre a vida dele. Memórias dela. Sempre foi um momento muito íntimo, mágico e rico. Um compartilhamento de saudades, que com o falecimento do meu querido avô, se intensificou. Até hoje compartilhamos de momentos assim, sempre após o jantar, ou café, ou ainda um papo iniciado sem cerimônia a qualquer hora do dia, quando permanecemos apenas nós duas a mesa e nem percebemos o tempo correr, enquanto conversamos.

Curiosamente o hábito de ler e apreciar a história, ela não desenvolveu com meu irmão, é uma coisa só nossa que cultivamos até hoje em dia e para sempre, amém. Não são raros os livros disfarçados de presentes, sejam em datas comemorativas ou não, e é sempre uma surpresa. Trocamos indicações.

Hoje em dia, não lemos mais juntas, cresci e esse hábito se perdeu, mas com muita frequência leio os livros que ela já leu (ou vice e versa) e debatemos a história por longos minutos, trocando impressões sobre a trama e os personagens, críticas e as emoções que sentimos ao ler. Mesmo com todos os mil livros e artigos que tenho que ler para a faculdade, procuro me manter a par do novo título que está à sua cabeceira. Quando ela termina mais um livro, é difícil medir o meu grau de satisfação ao ouvir suas opiniões sobre o livro e o pedido de um novo, porque, segundo ela, ficar sem ler é entediante.

Minha maior incentivadora a leitura, a arte e cultura. Minha educadora, maior professora. A ela todo meu amor e gratidão. Mãe. <3

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