sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

"Esse negócio de nunca não existe, criança... Acredite..."


E eu acreditei.
Libertando-me aos poucos de cada amarra, os pré-conceitos foram caindo um a um.
Livre, tive medo. "Eu não posso com isso". E fiz de mim padrão. Mas o bicho, que habita lá no fundo do ser, sem as amarras de meus pré-conceitos viu-se livre. Não podia mais suportar estar preso. Raivoso, uivava; louco, corria; sedento, impulsionava. Assustada, eu tentava controlar a fera. Inútil. No início, meus braços eram fracos para prender meus desejos. Me jogava, flutuava e caia. Após a queda, o bicho mirava o fio de sangue em minha face e satisfeito, fugia. Olhando minha marcas, lembrava-me do momento do salto: leve, decisivo e aventureiro... Delicioso. Quase podia sentir novamente o gosto doce do perigo. Sorria, quase luxuriosa, mas em uma tentativa de mascarar a verdade, vestia-me com a promessa de não mais olhar o abismo. 
Não passados muitos dias, o bicho retornava, seduzia-me. Meus braços, que não eram fortes, derrotados não arriscava a luta. Abismo, salto, prazer, sangue, adeus. Como num círculo vicioso. Demorei para domar a fera. Foi doloroso dominá-la, suas garras cortavam-me e eu passava noites em claro curando-me, com músicas, álcool, escrita e leitura...

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